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Eliseu Gouveia

A trabalhar como freelancer a tempo inteiro, Eliseu sente-se feliz por ganhar a vida “a sonhar acordado à frente de uma prancha.”

Natural de Moçambique e a viver em Portugal, desde cedo que Eliseu Gouveia se interessou pela banda desenhada.

«Lembro-me de ver os meus irmãos com revistas da Disney quando tinha uns seis anos; ainda não sabia ler lá muito bem, mas já me interessava pelos bonecos. Uma vez, por volta de 78, comprámos as revistas do Tarzan e O Segredo da Barreira Pantanosa, pelo Russ Manning, e da Supermoça num quiosque na estação de autocarros de Canas de Senhorim e aquilo foi ler e reler até esfarrapar. Spirou, Valerian, Tex, O Falcão, O Mundo de Aventuras, Brick Bradford, Blake e Mortimer, Príncipe Valente, o Flash Gordon que saía em tiras no jornal A Capital, os calhamaços do Tintim lidos na biblioteca, a lista é interminável.»

 

A formação em Engenharia Electrotécnica acabou por ser uma mais-valia na área da arte, tornando-o «num artista mais meticuloso e com atenção ao detalhe». Autodidacta, aprendeu a imitar outros artistas. As suas influências têm variado com o tempo, mas são autores como Ryoichi Ikegami, Bill Sienkiewicz, Stuart Immonen, Mike Deodato Jr., Alan Davis, Katsuhiro Otomo que mais tem apreciado recentemente. No entanto, admite sentir falta de alguma formação mais específica.

«Confesso que gostava de ter tido uma formação artística, há muita coisa que tive de aprender por mim mesmo ao fim de muitos anos que podia ter descoberto com uma mera observação bem colocada por um professor de arte. É giro saber a Lei de Ohm ou o Teorema de Cauchy, mas na minha área dava mais jeito saber, por exemplo, que o valor tonal é mais importante que a cor, algo que só aprendi depois de velho.»

 

A trabalhar como freelancer a tempo inteiro, Eliseu sente-se feliz por ganhar a vida «a sonhar acordado à frente de uma prancha». Apesar de ter começado como ilustrador para livros escolares e infantis, foi graças à Internet que se conseguiu expandir pelo mundo fora e trabalhar com vários clientes em projectos de banda desenhada. Destes, destaca Cloudburst.

«Escrito pelo Jimmy Palmiotti e pelo Justin Gray, foi provavelmente o meu trabalho com maior projecção, mas tenho um certo afecto pelos Infiniteens, publicados pela Moonstone Books, já que foram completamente escritos, desenhados e coloridos por mim, embora a gráfica tenha chacinado as páginas. Tenho também de mencionar os calorosos fans de Stargate Universe/Atlantis, pessoas extraordinárias que receberam o meu trabalho para a American Mythology Comics com mais apreço do que eu mereço.»

De momento, encontra-se a fazer BD para o webcomic britânico Granted e o comic Lorelei para a Starwarp Concepts.

Com vários projectos pessoais na calha, da ficção científica aos super-heróis e passando até por um título infantil, Eliseu confessa que, apesar de em miúdo sonhar trabalhar para as grande editoras de comics americanos, hoje em dia o ideal seria «mesmo publicar um título da minha autoria pela Image Comics ou afins, onde ao menos a maluqueira estaria sob o meu controlo». E quem sabe, um dia destes, «tentar o meu pezinho na animação».

 

O seu novo webcomic O Monstro reflecte uma ideia actual de Eliseu Gouveia.

«Acho que a BD está numa encruzilhada, a tentar decidir o que os webcomics representam para o futuro, enquanto vê as audiências a fugirem para os jogos electrónicos. Felizmente, há-de haver sempre miúdos de todas as idades que gostam de ler e de ouvir histórias. Temos é de descobrir como os cativar.»

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