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João Moura

Oriundo do Porto, viveu grande parte da  sua vida em Leça da Palmeira, até ter trocado Portugal por Paris, França em 2018 para integrar a equipa do estúdio Illumination Macguff.

João Moura de 32 anos é este ano um Knight, um dos oradores convidados do festival Trojan Horse was a Unicorn, o que representa o reconhecimento pela “tribo” pelo seu percurso e pela sua carreira. Se pudesse voltar atrás no tempo, gostava de se encontrar consigo próprio, em 2013 “a meio de uma das palestras do THU onde estaria muito provavelmente a chorar baba e ranho e sussurrar ao ouvido ‘um dia ainda vais ser tu lá em cima’, só para ver a minha cara de estúpido”, brinca Moura.

Oriundo do Porto, viveu grande parte da  sua vida em Leça da Palmeira, até ter trocado Portugal por Paris, França em 2018 para integrar a equipa do estúdio Illumination Macguff.

Interessado pelo desenho desde criança, recolhia desenhos e recortes de revistas de super heróis e desenhos animados com o irmão.

“Desenhávamos os nossos heróis preferidos e inventávamos outros, verdadeiros Frankensteins que não deveriam alguma vez ter visto a luz do dia.”

Confessa-se inspirado pelos super heróis das revistas de banda desenhada, como Homem-Aranha, X-Men, Capitão América, Hulk, She-Hulk, Vingadores, “todas compradas em segunda mão na feira do Golfinho em Matosinhos” e também pelos clássicos de animação da Disney que via vezes sem conta. “Muitas vezes via o mesmo filme duas vezes numa tarde, fazendo só pausa para rebobinar a cassete!”. A literatura também teve sempre um papel importante na sua vida. ”Desde cedo, ganhei o hábito de ler bastante, principalmente obras de fantasia. Algo que me marcou imenso na altura foi a saga do Harry Potter, livros que li repetidamente. Também adorava clássicos como o Drácula de Bram Stoker, Frankenstein, Eça de Queirós e outros de autores mais recentes como Neil Gaiman, Philip Pullman, Lian Hearn, Christopher Paolini, etc.”

João Moura é formado em arquitectura pela Faculdade de Arquitectura do Porto – FAUP, completou um mestrado em Animação por Computador da Universidade Católica do Porto e tem um certificado em Visual Development na IDEA Academy em Roma. Ainda assim considera-se, em muitos aspectos, um autodidata:

”Os dois mestrados que tirei só me ajudaram indiretamente, pois foi através de tentativa e erro (muito erro, ainda hoje) que fui aprendendo design para animação e photoshop sozinho. Na IDEA aprendi a aprimorar estas ferramentas e a criar o meu portfolio.”

Foi através de workshops e eventos mais ligados a animação que o desejo de trabalhar na área se tornou claro e alcançável.  “Quando fui ao primeiro Trojan Horse Was a Unicorn, o meu mundo mudou completamente. Ir a um evento onde, numa semana, aprendes mais do que aprendeste no ano todo e estás em contacto com os profissionais da tua área, a ver o seu trabalho, não tem preço.” Igualmente importante, foi também o Festival de Annecy, em França, mais focado na animação, “que foi onde eu consegui o meu emprego na Illumination Macguff!”

O aspecto social destes eventos é também de maior importância para  João Moura: “Foi no THU que fiz dos melhores amigos que alguma vez tive.” Pessoas que acabam por ser, também, influências pessoais e profissionais: “Tenho um grupo de amigos, a maioria deles artistas, que me inspiram quase todos os dias com a sua arte e modo de lidar com a vida. Entre eles estão o Pedro Maia, o João Fiuza (@inkognit), a Maria Morais (@suni), o Ricardo Coelho (@azulazulis), a Sara Leal (@loyal), o Marco Wulfr, a Mariana Galiano (@mupuccino), o Filipe Teixeira (@Texugo), o Marco Vale (@marcokaz), o João Pedro Sustelo e o André Lourenço. São pessoas excelentes que tiveram um papel importante na pessoa e artista que sou hoje (portanto se eu for um pulha, a culpa também é deles).”

João Moura já trabalhou como arquitecto, estafeta de uma cadeia de livrarias, modelador 3D, designer para jogos e designer de personagens. Como freelancer recentemente colaborou com o estúdio Boulder Media, numa das suas séries mais recentes, Transformers Cyberverse.

No presente, trabalha como set designer dentro do departamento de arte da Illumination Macguff, uma tarefa que “consiste na concepção e desenvolvimento visual de cenários e ambientes para o filme. Pode abranger situações de grande escala, como o desenvolvimento de uma cidade, bem como algo menor, como o quarto de um personagem ou mesmo só um adereço. No momento, está envolvido na criação dos cenários do filme Sing 2, que deverá estrear no Verão de 2021, mas tem um projecto pessoal que gostaria de desenvolver, apesar da dificuldade de ”conciliar o trabalho ganha-pão com o trabalho pessoal“.

 

A importância que os projectos pessoais, por pequenos que sejam, podem vir a ter revela-se bem numa ilustração recente de um casal gay no parque Monceau, e no pequeno texto que a acompanhou.

“Penso que foi a primeira vez que falei tão publicamente e abertamente sobre o facto de ser gay e as complicações que vieram com o facto de me assumir tão tarde. Foi algo importante porque sinto que me expus de um modo que nunca tinha feito e o que recebi em troca foi espantoso. Recebi mensagens de pessoas a dizer que estavam na mesma situação, e que a minha ilustração e texto as tinha inspirado ou deixado em lágrimas. Penso que não há melhor do que isto, ser compreendido e fazer a nossa arte ressoar nas emoções de alguém.”

 

O convite para ser orador na edição de 2019 do festival Trojan Horse was a Unicorn foi uma alegre surpresa. Em 2013, João Moura viu um anúncio para um evento de artistas da indústria de entretenimento e ficou bastante confuso. “No entanto queria ir, mesmo achando que havia a possibilidade de aquilo ser um esquema e acabar comigo a voltar para casa sem um rim.” Participante assíduo desde esse primeiro ano, o evento acabou por se revelar fundamental na sua carreira O THU era algo que eu nunca tinha visto na minha vida. Um verdadeiro paraíso para artistas. O primeiro sítio onde realmente me senti em casa e entre os meus.“

O ambiente do festival é algo que destaca incansavelmente:

”foi lá que conheci os meus heróis, pessoas que para mim eram absolutamente imaculadas e intocáveis e com quem acabei aos abraços e a beber javardamente. À noite estamos todos juntos, speaker e attendees, todos iguais”.

Sublinha também a formação artística e, sobretudo, pessoal: “Eu achava que para ser bom artista teria que ficar em casa a desenhar 24/7, mas com estas pessoas percebi que não é necessariamente assim. Ter uma vida social, romântica, ir a museus, viajar, explorar o mundo, conhecer e experimentar, são elementos que vão afectar muito activamente a nossa arte e a nossa identidade como artista. Isso até hoje mantém-se como das melhores lições que aprendi.”

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