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Marte, a fronteira final

«Exploration is in our nature. We began as wanderers, and we are wanderers still. We have lingered long enough on the shores of the cosmic ocean. We are ready at last to set sail for the stars.» – Carl Sagan, Cosmos, 1980

O tiro de partida para a corrida espacial foi um pequeno satélite artificial da URSS, chamado Sputnik, em 1957. Rapidamente, e à medida que a competição entre os EUA e a URSS aquecia, o alvo de algumas das missões de exploração passou aos nossos planetas vizinhos: Marte e Vénus.

O chamamento de Marte ganhou e três anos após o lançamento do satélite Sputnik em Outubro de 1960, a URSS fez a primeira tentativa de chegar à órbita do planeta vermelho com as missões Marsnik (amálgama de Mars e Sputnik) 1 & 2. O problemático foguetão Molniya, desenvolvido em tempo recorde pela equipa de Korolev, para o lançamento de sondas planetárias, apenas conseguiu atingir 120 km de altitude antes de perder as sondas devido a vibrações no terceiro estádio.

Começa assim a corrida pela conquista do planeta vermelho.

Após várias tentativas, tanto dos EUA como da URSS, finalmente no dia 15 de Julho de 1965 a sonda Mariner 4 consegue obter a primeira fotografia enquanto orbitava Marte. A foto, ligeiramente desfocada mostra a superfície marciana coberta por uma ténue camada de nuvens.

 

Volvidos cinquenta e oito anos e 47 missões lançadas para estudar Marte e a sua lua Phobos, apenas os EUA conseguiram colocar naves funcionais na superficie marciana (com a excepção dos 15 segundos da Mars 3 em 1971 da URSS). Das cinco tentativas feitas pela NASA, apenas a Mars Polar Lander (1999) não teve um desfecho positivo; a URSS nunca conseguiu, para além da acima mencionada Mars 3, aterrar uma nave completamente funcional em Marte; a Europa tentou aterrar duas naves, infelizmente nenhuma delas conseguiu chegar à superficie do planeta vermelho em condições de levar a cabo as missões programadas. Mas hoje a competição não é apenas entre as duas superpotências de antigamente que deram início à exploração espacial, hoje não são inimigos a tentar vencer uma corrida… hoje a Índia, a China, os Emirados Árabes Unidos, o Japão, a União Europeia, os Estados Unidos da América e algumas empresas privadas como a SpaceX e a Blue Origin competem e colaboram para se conseguir chegar ainda mais longe.

Os últimos anos têm sido decisivos para o regresso da Humanidade aos voos tripulados a outros corpos celestes. Em Dezembro de 2014, a cápsula da NASA Orion voou para lá do Cinturão de Radiação de Van Allen; desde a Apollo 17, em 1972, que nenhuma cápsula de transporte de tripulação chegava tão longe do planeta Terra – esta será a cápsula que um dia, espera-se não muito distante, irá levar os astronautas da NASA até Marte. Em Outubro de 2015, a NASA apresenta o fato Z-2, um fato especialmente desenhado para trabalhar em superfícies planetárias (para já, é um protótipo avançado para testar e demonstrar vários avanços tecnológicos como um sistema de remoção de dióxido de carbono auto-regenerativo e sistemas de evaporação de água). Mas o ano mais emocionante foi sem dúvida o de 2016; em Setembro desse ano, durante o International Astronautical Congress (IAC), Elon Musk revelou o revolucionário Sistema de Transporte Interplanetário e os planos que haviam sido postos em marcha aquando da fundação da SpaceX: tornar a Humanidade numa espécie verdadeiramente interplanetária. Mas não foi apenas o anúncio de Musk que marcou o IAC desse ano, Jeff Bezos anunciou que também a Blue Origin entrava na corrida pelo planeta vermelho.

Com o primeiro lançamento do Falcon Heavy da SpaceX a aproximar-se, lançamento esse que sairá da renovada plataforma de lançamento 39ª, de onde as missões Apollo foram lançadas em direcção à Lua, o sonho marciano parece cada vez mais real e ao alcance da nossa geração.

Se com a Corrida pela Lua conseguimos tantos benefícios para a Humanidade ainda ancorada na Terra, nem se consegue imaginar o futuro que nos espera após a chegada dos primeiros colonos de Marte.

«Someday, I hope to hoist my own grandchildren onto my shoulders. We’ll still look to the stars in wonder, as humans have since the beginning of time. But instead of eagerly awaiting the return of our intrepid explorers, we’ll know that because of the choices we make now, they’ve gone to space not just to visit, but to stay – and in doing so, to make our lives better here on Earth.» – Barack Obama (12 de Outubro de 2016)

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